Prova de Título Medicina Intensiva 2026: TEMI AMIB

Se você procura a prova de título de medicina intensiva, o primeiro cuidado não é com data: é com qual das duas certificações você está lendo. O TEMI é o Exame de Suficiência para obtenção do Título de Especialista em Medicina Intensiva, Área Adulto, Edital nº 1898/2026 da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Suas inscrições foram encerradas em 15/07/2026, e a prova teórica ocorre em 10/11/2026 e a prática em 15/11/2026, em Olinda/PE. A certificação pediátrica, que muita gente também chama de “TEMI”, é outro documento, de outra natureza jurídica, com calendário já quase todo cumprido. Esta página trata da adulta, com o item do edital citado em cada afirmação, e começa exatamente por essa separação.
“TEMI” nomeia duas certificações diferentes, mas só uma é título de especialista
Antes de qualquer data, resolva esta pergunta: você vai prestar a prova de adulto ou a de pediatria? São dois editais distintos, e nenhum dado de um vale para o outro.
O TEMI Área Adulto é regido pelo Edital nº 1898/2026, da AMIB, e o documento que ele produz é um Título de Especialista em Medicina Intensiva, emitido pela AMB por delegação à AMIB. A aprovação é “requisito fundamental” para o título da AMB e para o credenciamento pelo CFMitem 1.2, e o edital separa três coisas que costumam ser confundidas: a Declaração Provisória de Aprovação não substitui o títuloitem 1.23, e para solicitar o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE) junto ao CRM “somente será aceito o Titulo de Especialista emitido pela AMB/Associação de Medicina Intensiva Brasileira”item 14.10.
A certificação pediátrica é o Certificado de Área de Atuação em Medicina Intensiva Pediátrica, Edital nº 2095/2026, proposto pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em conjunto com a AMIB e executado pela SBP. O próprio documento se nomeia assim, do título à última página, nunca como título de especialista. A diferença não é de nomenclatura: área de atuação, por definição regulatória, se assenta sobre uma especialidade-base, e é isso que explica por que os dois editais têm desenhos de pré-requisito opostos.
| TEMI Adulto | Medicina Intensiva Pediátrica | |
|---|---|---|
| Natureza | Título de Especialista | Certificado de Área de Atuação |
| Edital | nº 1898/2026 | nº 2095/2026 |
| Quem executa | AMIB | SBP, com a AMIB na comissão |
| Prova teórica | 10/11/2026, presencial, Olinda/PE | 21/06/2026, on-line (já realizada) |
| Prova prática | 15/11/2026, Olinda/PE | 18/10/2026, Belo Horizonte/MG |
| Pré-requisito | Um, com 3 vias alternativas | Dois cumulativos (alíneas “f” e “g”) |
| Questões da teórica | 90 | 70 (50 pediátricas + 20 neonatais) |
| Corte da teórica | Variável: 48, 49 ou 50 acertos | Fixo: 42 de 70 (60%) |
| Errata localizada | Nenhuma, até 18/08/2026 | Sim: Errata 01, publicada só no site da SBP |
Dois avisos práticos saem dessa tabela. O primeiro: transpor as datas de novembro para o ciclo pediátrico publicaria uma prova teórica quase cinco meses depois da real. A pediátrica ocorreu em junho. O segundo é de método e vale para quem acompanha qualquer processo com duas entidades coautoras: a errata do edital pediátrico foi publicada apenas no site da SBP, não no da AMIB. Quem conferisse só um dos dois canais teria trabalhado com a data de inscrição errada.
Cronograma do TEMI 2026: o que já fechou e os próximos marcos
As inscrições do TEMI 2026 abriram em 02/03/2026, às 18h, e encerraram em 15/07/2026, às 20hitem 2, cronograma geral. O pagamento da taxa tinha limite anterior ao da própria inscrição (16h do mesmo dia 15/07, conforme o item 7.3) e o envio dos documentos obrigatórios, 18h. Não há reabertura: o item 4.7 registra que a ferramenta eletrônica de inscrição é desativada após o prazo, e o item 14.17 declara os prazos “preclusivos, contínuos e comuns a todos os candidatos, não havendo justificativa para o não cumprimento e apresentação de documentos após as datas estabelecidas”.
A última janela que restava antes das provas, o envio de documentos para a análise curricular, encerrou em 05/10/2026, às 18hitem 2 e item 9.16. O próximo marco é o resultado da análise curricular, em 30/10/2026, às 18h, e depois vem a prova teórica, em 10/11/2026item 2. Como a pontuação funciona está no artigo sobre a análise curricular do TEMI 2026. Para quem está inscrito, esse resultado tem efeito direto sobre a nota de corte da prova teórica, pelo desenho explicado adiante.
| Etapa | Data | Dia da semana | Horário |
|---|---|---|---|
| Encerramento das inscrições | 15/07/2026 | quarta-feira | 20h |
| Confirmação da inscrição deferida e lista definitiva de aptos | 15/08/2026 | sábado | 18h |
| Limite do envio de documentos para a análise curricular (encerrado) | 05/10/2026 | segunda-feira | 18h |
| Resultado da análise curricular | 30/10/2026 | sexta-feira | 18h |
| Prova teórica, presencial em Olinda/PE | 10/11/2026 | terça-feira | início 10h |
| Gabarito da prova teórica | 10/11/2026 | terça-feira | 15h |
| Limite de recurso sobre a prova teórica | 12/11/2026 | quinta-feira | 15h |
| Resultado dos aptos à prova prática | 13/11/2026 | sexta-feira | 14h |
| Prova prática, mesmo endereço | 15/11/2026 | domingo | início 08h |
| Resultado preliminar dos aprovados | 16/11/2026 | segunda-feira | 08h |
| Publicação do espelho de correção da prática | 19/11/2026 | quinta-feira | 12h |
| Resultado final (aprovados) | 16/12/2026 | quarta-feira | 18h |
As duas provas são presenciais, no Centro de Convenções de Pernambuco, av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda/PEitens 10.1.1 e 10.1.2, durante o XXXI Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva. Os dias da semana acima foram calculados, não constam do edital; vale registrar que 15/11 é domingo e feriado nacional, o que costuma encarecer e esgotar passagem e hospedagem na região.
Um ponto de leitura do cronograma que gera dúvida legítima: a tabela do item 2 marca a prova prática às 07:00 e os itens 1.8 e 10.1.2 dizem que ela começa às 08h. Não são horários conflitantes: o item 10.2.1 exige comparecimento 60 minutos antes, “prova teórica às 09h e prova prática 07h”. Ou seja, 07h é chegada e 08h é início; na teórica, 09h é chegada e 10h é início.
O próprio edital prevê que esse calendário pode mudar: o item 1.17 diz que os itens “poderão ser alterados, atualizados ou acrescidos até a consumação do evento a que se referem”, regra repetida no item 14.19, e o item 1.9 atribui ao candidato a responsabilidade de acompanhar os comunicados no site da AMIB, com o item 3.6 acrescentando o dever de checar o e-mail cadastrado, “inclusive com verificação da caixa de spam”.
Sobre errata: nenhuma errata ou retificação do Edital nº 1898/2026 foi localizada até 18/08/2026, em busca no site da AMIB com navegador real, com extração dos links do DOM e procura ativa pelos termos “errata” e “retificação”: os únicos resultados apontavam para ciclos anteriores. Ausência de localização não é prova de ausência: o arquivo publicado se chama Edital-TEMI-2026-Atualizado.pdf e foi gerado em 17/03/2026, quinze dias depois da abertura do edital, sem que o documento identifique o que teria sido alterado, sem número de retificação e sem controle de versão. Isso fica registrado como sinal, não como fato.
Pré-requisitos da prova de título de medicina intensiva: um só, com três vias
Aqui está a diferença estrutural que separa este edital da maioria das provas de título: não existe alínea “g”. O item 3.2 lista os documentos obrigatórios das alíneas “a” a “f” e termina em “f”. Consequência direta: a Medicina Intensiva Adulto não tem pré-requisito de base cumulativo: não é preciso ser antes clínico ou cirurgião titulado. O candidato satisfaz uma das três condições da alínea “f”, e apenas uma. O próprio texto marca a alternatividade com a expressão “Ou, alternativamente:”, que aparece duas vezes: entre f.1 e f.2, e entre f.2 e f.3.
Isso separa a Medicina Intensiva de especialidades como Endoscopia, Geriatria e Oncologia Clínica, em que as alíneas “f” (base) e “g” (especialidade) são ambas obrigatórias. Veja o hub da prova de título de endoscopia e o hub da prova de título de geriatria para comparar os dois desenhos lado a lado.
Via f.1: residência médica credenciada CNRM/MEC. Comprovação de conclusão de residência em Medicina Intensiva emitida por programa aprovado pela CNRM/MEC, em cópia autenticada. Residência concluída no exterior é aceita desde que revalidada por instituição pública e registrada pela CNRM, na forma da Resolução CNRM nº 08/2005item f.1.1. A sociedade pode, a seu critério, conferir o nome do candidato na base pública do SisCNRMitem f.1.2. Quem está no último ano, com previsão de término até 28/02/2027, se inscreve com declaração da COREME informando a data previstaitem f.1.3, e assume um prazo que sobrevive ao resultado: o item f.1.3.1 exige o envio da declaração de conclusão até 31/03/2027, sob pena de desclassificação do certame. Repare que essa data é posterior ao resultado final de 16/12/2026.
Via f.2: programa de formação credenciado pela AMIB (PEMI). Só valem programas credenciados pela própria AMIBitem f.2.1, e não basta o programa ser credenciado: o candidato precisa ter ocupado uma das vagas oficiais credenciadasitem f.2.2. O item f.2.3 é a cláusula que elimina: programas com carga horária inferior a 2.880 horas anuais “não atendem às exigências mínimas estabelecidas como pré-requisito”, e sua conclusão “não confere ao médico a habilitação necessária para inscrição”. Concluintes do último ano do PEMI seguem a mesma regra de f.1.3, com previsão de término até 28/02/2027 e a mesma data-limite de 31/03/2027 para a declaração de conclusãoitens f.2.4 e f.2.4.1.
Via f.3: atuação prático-profissional, 6 anos. O edital fecha a própria conta: “período mínimo equivalente ao dobro do tempo de formação, ou seja, 6 anos”. A capacitação “deverá ter seu início após a conclusão da graduação em Medicina” e estar finalizada até o último dia de inscriçãoitem f.3.1, isto é, os 6 anos precisavam estar integralmente cumpridos em 15/07/2026. Atuação fora do território nacional não é aceita, sem ressalvaitem f.3.2.
A comprovação dessa via tem forma fechada. O item f.3.3 determina que ela se faça exclusivamente pela Declaração de Tempo de Experiência, “devidamente preenchida no formulário padrão fornecido pela AMIB”, com validade até a data de autenticação em cartório ou de assinatura digital no formato CAdES, padrão AD-RB, e conclui: “Não serão aceitos documentos emitidos em outros modelos ou formatos.” A declaração exige duas assinaturas de pessoas distintas (diretor clínico ou administrativo da instituição e coordenador da UTI), com firma reconhecida ou certificação digital, e “não será aceita, em nenhuma hipótese, declaração de experiência profissional assinada pelo próprio candidato”. O formulário traz ainda, no rodapé, que a declaração “será verificada pela AMIB através da sua Diretoria Regional”, que o impresso incompleto não será aceito e que cada instituição exige uma cópia própria do mesmo modelo.
O detalhe que só existe no anexo, e que muda a conta. O corpo do edital, no item f.3, fala apenas em “6 anos”. Mas o checklist da Declaração de Veracidade descreve o mesmo documento com três condições que não aparecem em nenhum item numerado: jornada mínima de 20 horas semanais, na condição de plantonista em UTI, e atividade ininterrupta nos últimos dois anos. Não há, no edital, regra de hierarquia entre corpo e anexo; o item 1.11 diz apenas que a inscrição implica aceitação do edital “incluindo seus anexos”. Tratar as três condições como exigíveis é a leitura conservadora, e quem apurar só pelo corpo do edital perde as três.
Uma última porta que costuma ser procurada e não existe: experiência no exterior não abre via alguma. O item 3.7 admite exclusivamente a certificação internacional que atenda integralmente ao item f.1.1 e encerra com “Nenhuma outra forma de certificação internacional será aceita”; somado ao item f.3.2, que veda atuação profissional fora do país, resta apenas a residência estrangeira revalidada e registrada pela CNRM. Para o detalhamento de documentação por tipo de vínculo, veja o guia de comprovação de vínculo na Prova de Título.
Trabalho voluntário: o que o item 3.4 veda, e onde ele silencia
A palavra “voluntári” aparece uma única vez em todo o Edital nº 1898/2026, no item 3.4: “Não serão aceitos trabalhos voluntários para a capacitação por atuação prático profissional em Medicina intensiva”. A frase tem um qualificador, e o qualificador é a parte que decide o alcance da regra. São três estados, e os três precisam ser ditos.
1. O que é vedado, e para qual via. A vedação se dirige à “capacitação por atuação prático profissional”, que é exatamente a expressão que nomeia a via f.3, e só ela. Tempo de trabalho voluntário não conta para o requisito de 6 anos dessa viaitem 3.4.
2. Onde o edital silencia. O item 3.4 não trata das vias f.1 (residência CNRM) e f.2 (programa credenciado AMIB), o que é coerente, porque nelas se comprova conclusão de programa formal e não tempo de serviço. Mas o edital também não diz o que acontece com um período misto (parte remunerada, parte voluntária, na mesma instituição) nem define o que caracteriza “trabalho voluntário” para este fim. Silêncio do edital não é permissão nem proibição: é silêncio, e está registrado aqui como tal.
3. O que fazer com isso. Quem usou a via f.3 e teve qualquer período sem vínculo remunerado formal deve confirmar diretamente com a AMIB (titulos@amib.org.br) antes de dar a documentação por resolvida, porque a comprovação passa por um formulário padrão fechado, cujas únicas opções de natureza de vínculo são Autônomo/PJ, Contratado/CLT, Servidor Público e Outro, sem campo para explicar a natureza do vínculo além dessas quatro. E o edital é expresso ao dizer que não há compromisso da AMIB “em cobrar possíveis documentos pendentes”itens 3.5 e 14.7, além de prever anulação de todos os atos posteriores à inscrição irregular “mesmo que o candidato tenha obtido aprovação nas provas”item 14.5.
Formato das duas etapas da prova de título de medicina intensiva
Como treinar para a prática está em como treinar para a prova prática do TEMI, e o que levar, o que é proibido e o que elimina nos dois dias em Olinda, em prova do TEMI 2026 em Olinda.
As duas etapas são sequenciais e eliminatóriasitem 1.3: quem não é habilitado na teórica não faz a prática, e a ausência em qualquer uma delas resulta em “DESISTÊNCIA automática e REPROVAÇÃO no Exame”, sem segunda chamada e sem aceitação de justificativa de faltaitens 10.2.13 e 10.2.14.
Prova teórica (10/11/2026). São 90 questões de múltipla escolha, com 4 alternativas cada, todas com o mesmo peso, em 4 horas de aplicação, das 10h às 14hitens 1.3.1, 9.6, 9.13 e 10.1.1. A prova é presencial e em papel: caderno de questões mais folha de gabarito, que “deve conter exclusivamente a marcação das alternativas”, sem rasuras, e que o candidato pode levar consigo apenas a partir dos últimos 30 minutos antes do horário finalitem 10.2.11.
O formato declarado não é “única alternativa correta”, e sim melhor resposta: o item 9.9 descreve questões que apresentam “um cenário-problema, seguido de quatro alternativas, das quais apenas uma será a melhor resposta, conforme a bibliografia do Edital”. A justificativa do próprio edital é que esse desenho evoca “demandas cognitivas variadas […] inclusive, quando ocorrer divergência entre a bibliografia indicada”. Isso tem efeito recursal direto: o item 12.2 só admite recurso com justificativa baseada exclusivamente nas referências bibliográficas do edital (são 48, nominadas no item 16) e o item 12.7 define o desempate: “caso seja constatada contradição entre duas referências bibliográficas indicadas neste edital, será considerada correta a de publicação mais recente”. O item 15.2 acrescenta uma segunda regra de prevalência, por tipo de fonte: em caso de divergência, prevalece o livro-texto da lista oficial da CTEMI sobre a fonte complementar de atualização médica.
Prova prática (15/11/2026). São 50 desafios clínicos, em estações de simulação e cenários clínicos, avaliados por duplas de examinadores, 11 duplas diferentes ao longo da provaitens 1.3.2, 9.10, 9.21.1 e 9.25. Cada examinador pontua de 0 a 5; a nota do desafio é a média da dupla, e a nota final é a média aritmética simples dos 50 desafiositem 9.21.2.
A escala de 0 a 5 não é arbitrária: o item 1.5.1 a descreve como seis “Marcos de Conhecimento” hierarquicamente estruturados, do Nível 0 ao Nível 5, “conforme a densidade, a precisão e a consistência do conhecimento demonstrado”, e o item 9.22 vai da “ausência de conhecimento (Nível 0) até o domínio completo e seguro (Nível 5)”. Além do conteúdo, o examinador avalia “a linguagem e a assertividade das respostas”item 1.5.2, e nos níveis intermediários pesa a apreciação qualitativa do raciocínio clínico, da coerência argumentativa e da priorização de condutasitem 1.5.3. O item 9.10 detalha os três domínios: habilidades técnicas em procedimentos, atitudes profissionais (ética, comunicação, trabalho e gestão de equipe) e tomada de decisão “de forma rápida e precisa”, incluindo “fluência na nomenclatura”.
Dois pontos operacionais da prática que não aparecem em resumos de terceiros. A voz dos candidatos é gravada: cada um recebe um dispositivo individual de gravação na chegadaitem 1.7, e o item 12.14 limita a finalidade a “registrar apenas as respostas dadas pelos candidatos”. E a ordem de chamada obedece, como critério prioritário, à ordem cronológica de efetivação da inscrição, considerando data e horário de confirmação do pagamentoitem 10.2.6.2. Qualquer apontamento sobre um avaliador tem prazo fatal: precisa ser registrado em ata no momento da prova, “não sendo aceito como motivo de recurso posteriormente”item 9.23.
Aprovação na prática: o item 9.21.3 exige desempenho global mínimo de 70% da nota máxima possível, “assim, será considerado aprovado o candidato que obtiver média final igual ou superior a 3,50”. A conta fecha: 70% de 5,0 é exatamente 3,50.
A nota de corte que muda de candidato para candidato
Este é o desenho mais incomum do TEMI, e o que mais gera erro quando alguém procura “a nota de corte” da prova. Não existe uma. O item 9.7 é explícito: a análise curricular “terá pontuação de 0 a 100 pontos e impactará diretamente no número mínimo de acertos exigidos na prova teórica para que o candidato esteja habilitado à prova prática”.
| Nota da análise curricular | Acertos mínimos (de 90) | % da prova | Itens |
|---|---|---|---|
| 100 pontos | 48 acertos | 53,3% | 9.7.1 e 9.12.1 |
| 50 a 99 pontos | 49 acertos | 54,4% | 9.7.2 e 9.12.2 |
| abaixo de 50 pontos | 50 acertos | 55,6% | 9.7.3 e 9.12.3 |
A mesma tabela aparece três vezes no editalitens 9.7, 9.12 e 9.24, com valores idênticos nas três, sem divergência entre elas. O item 9.24 explica a intenção: “esse modelo reconhece a trajetória acadêmica e profissional do candidato, equilibrando experiência e conhecimento teórico na habilitação para a etapa prática”.
Duas leituras erradas a evitar. A primeira: a análise curricular não soma pontos à nota da prova. Ela desloca o limiar de acertos, nada mais. Um currículo nota 100 não compensa um desempenho ruim na teórica. A segunda: a amplitude total do benefício é de duas questões, de 50 para 48. É uma diferença real, e pode decidir um resultado, mas é isso que ela é.
Vale registrar que o edital não admite titulação por análise curricular pura. O preâmbulo transcreve a normativa da AMB segundo a qual a certificação por proficiência é exceção cabível apenas na primeira edição após o reconhecimento de uma nova especialidade, e conclui: “Dessa forma, todos os candidatos deverão prestar provas.”
Como o currículo pontua. A avaliação é baseada “exclusivamente nos documentos anexados online” na Área do Candidato, e “serão pontuadas apenas as atividades pertinentes à Especialidade”item 9.14; atividades fora da tabela de pontuação não pontuamitem 9.15. A janela geral de validade da documentação vai de 01/01/2022 a 05/10/2026item 9.17, com exceção expressa para REMI, PEMI e pós-graduação AMIB, válidos “independentemente do período”item 9.18. Residência em Medicina Intensiva reconhecida pela CNRM/MEC e o PEMI-AMIB valem 100 pontos cada; a pós-graduação lato sensu da AMIB reconhecida pelo MEC, 50; o Masterclass AMIB, 50; o CBMI, 25 por edição, com teto de 100, e, nessa linha, a tabela adverte que é necessário o certificado de participação, não o de inscrição. Cursos AMIB valem 10 cada, com teto de 100, e a tabela nomeia 22 deles. Cursos que não sejam da AMIB valem 5, com teto de 10, e a tabela é expressa ao não aceitar certificados de eventos de áreas relacionadas: Anestesiologia, Cirurgia, Cardiologia, Pneumologia “e outros”. Cursos iguais repetidos pontuam uma vez sóitem 9.20.
Uma divergência do próprio edital, que valia conferir com a AMIB antes de 05/10/2026. O item 9.17 fixa a janela geral da documentação curricular em 01/01/2022 a 05/10/2026, mas a linha do CBMI na tabela de pontuação fixa 2020 a 2025. Um certificado de CBMI de 2020 é válido pela tabela e inválido pelo item 9.17; um de 2026 é o inverso. O edital não estabelece hierarquia entre a regra geral e a linha específica, e essa é uma pergunta objetiva para o canal oficial (titulos@amib.org.br), não algo a resolver por suposição.
A isenção da teórica existe, e é estreita. O item 9.8 dispensa da prova teórica os Residentes em Medicina Intensiva (REMI) e especializandos AMIB (PEMI) “cursando o último ano, que participarem do Teste de Progresso realizado pela AMIB nos anos de 2024, 2025 e 2026 […] apenas se obtiverem 60 acertos no Teste de Progresso de 2026”. O edital não esclarece se a participação nos três anos é cumulativa ou se basta a de 2026, nem informa de quantas questões é composto o Teste de Progresso, o que impede converter “60 acertos” em percentual. São dois pontos ambíguos do documento, e estão anotados aqui como ambiguidade, não como regra resolvida.
O que dois cadernos oficiais mostram sobre o padrão de cobrança
Esta seção usa uma análise de incidência produzida pela equipe do UTI Xperts, curso preparatório operado pela mesma casa que mantém este blog. A relação está declarada em Sobre. A taxonomia da classificação são os 9 eixos e 44 subtópicos do item 15.4 do Edital nº 1898/2026, reconferidos contra o edital antes da publicação; a metodologia e seus limites estão descritos ao final da seção.
Os números de destaque abaixo saem de dois cadernos oficiais (2024 e 2025), 90 questões cada, 180 no total, classificadas questão a questão contra os 44 subtópicos do conteúdo programático de 2026. O caderno de 2024 traz, nos metadados do PDF, a identificação “PROVA_17.10.24 PICSIS - AMARELO”, e a Picsis é a mesma operadora logística que o item 1.1 do edital nomeia. Um terceiro material, de 2023, existe e aparece adiante apenas como reforço de tendência, nunca somado a estes números, pelas razões explicadas nos limites.
O que a contagem mede é recorrência observada. Não é previsão do que cai em 2026.
| Eixo do conteúdo programáticoitem 15.4 | Questões (2024+2025) | % de 180 |
|---|---|---|
| 15.4.2: Monitorização e suporte hemodinâmico e respiratório | 45 | 25,0% |
| 15.4.4: Insuficiências orgânicas e suporte de órgãos | 32 | 17,8% |
| Fora dos 44 subtópicos do edital | 20 | 11,1% |
| 15.4.6: Cuidados intensivos perioperatórios e clínicos | 18 | 10,0% |
| 15.4.3: Sepse, infecções graves e antimicrobianos | 17 | 9,4% |
| 15.4.1: Fundamentos de fisiologia e fisiopatologia | 14 | 7,8% |
| 15.4.5: Emergências neurológicas e neurointensivismo | 13 | 7,2% |
| 15.4.8: Gestão, qualidade e segurança do paciente | 8 | 4,4% |
| 15.4.7: Cuidados paliativos, comunicação e ética | 7 | 3,9% |
| 15.4.9: Metodologia científica e leitura crítica | 6 | 3,3% |
Um eixo domina, e não empata com ninguém. Monitorização e suporte hemodinâmico e respiratório (15.4.2) foi o mais cobrado nos dois anos oficiais, sem exceção, e sozinho responde por um quarto da prova. Somado a insuficiências orgânicas (15.4.4), o par passa de 40% das 180 questões.
O subtópico campeão é ventilação mecânica. O marcador 2.3 do edital, “ventilação mecânica invasiva e não invasiva: indicações, ajustes, monitorização, complicações e desmame”, reuniu 24 questões nos dois anos oficiais, 13,3% do total, e foi o primeiro colocado em cada um deles isoladamente. Duas ressalvas fazem parte do número: o edital condensa cinco competências distintas nesse único marcador, o que o torna estruturalmente maior que subtópicos mais estreitos; e, ainda assim, a concentração é real: em 2025, 14 das 90 questões pediam leitura direta de curva de ventilador, ajuste de parâmetro ou decisão de desmame.
Atrás dele, com volume relevante nos dois anos, aparecem fisiologia do doente crítico (13 questões), monitorização clínica e avançada (13), injúria renal aguda e terapias de substituição renal (7), e um bloco de seis: terapia nutricional, síndromes coronarianas agudas e emergências cardiovasculares, distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base, e insuficiência respiratória aguda incluindo SARA. Os três eixos não clínicos (paliativos e ética, gestão e qualidade, metodologia científica) somam 21 das 180 questões, ou 11,7%: são a menor fatia, mas foram os que mais cresceram no período mais longo observado.
Os 11,1% que a prova cobra e o conteúdo programático não nomeia
Este é o achado com consequência prática mais direta, e por isso ele tem seção própria: 20 das 180 questões dos dois cadernos oficiais (11,1%) não têm endereço em nenhum dos 44 subtópicos do conteúdo programático. Elas não foram distribuídas por aproximação entre os eixos existentes; ficaram numa categoria residual explícita, com o número de cada questão registrado para auditoria.
| Tema não nomeado pelo item 15.4 | 2024 | 2025 | Total |
|---|---|---|---|
| Toxicologia e intoxicações | 3 | 2 | 5 |
| Endocrinologia e emergências metabólicas | 3 | 1 | 4 |
| Emergências obstétricas | 1 | 3 | 4 |
| Arboviroses (dengue grave) | 2 | 1 | 3 |
| Parada cardiorrespiratória, RCP e cuidados pós-parada | 1 | 1 | 2 |
| Doenças neuromusculares agudas | 1 | 1 | 2 |
Somando o material de 2023 (de proveniência incerta, tratado adiante), quatro desses blocos aparecem nos três anos sem falhar nenhum: toxicologia, endocrinologia e emergências metabólicas, parada cardiorrespiratória e doenças neuromusculares agudas. É recorrência consistente, não evento isolado.
O que isso significa, e o que não significa. Significa que a lista de 44 marcadores não esgota o que a banca vem cobrando: quem monta cronograma de estudo apenas riscando os 44 subtópicos deixa de fora um bloco que, no período medido, valeu cerca de uma questão em cada nove. Não significa que esses temas estejam fora do edital. O item 15.3 ancora o conteúdo nas “matrizes de competência da especialidade (PROCOMI e Matriz de Competências da Residência em Medicina Intensiva)”, em livros-texto de referência, em diretrizes clínicas e em normativas éticas e regulatórias, instrumentos muito mais amplos que a lista de marcadores. E o item 15.2 é expresso: “a interpretação final acerca da aplicabilidade das referências bibliográficas caberá à CTEMI, sendo suas decisões soberanas”. Um tema ausente da lista não é um tema excluído. É um tema não nomeado.
Vale notar que a própria bibliografia do edital confirma parte disso. Entre as 48 referências do item 16 estão o manual de manejo clínico da febre amarela e o guia de dengue do Ministério da Saúdeitens 16.2.6 e 16.2.8, arboviroses que não têm subtópico próprio no item 15.4, e a atualização de 2023 da AHA sobre suporte avançado de vida em adultositem 16.3.7, que cobre parada cardiorrespiratória, também sem marcador próprio.
Limites desta contagem: leia antes de usar qualquer número acima
Quatro reservas, e nenhuma delas é formalidade:
- O material de 2023 não é caderno oficial e foi excluído dos números de manchete. O metadado
Titledo PDF é “Cópia de Simulado Oficial TEP 2023 - Objetivas”; o documento é material comentado, com gabarito embutido, numeração que vai de 1 a 82 em vez de 90, e sete questões duplicadas dentro do próprio arquivo. Ele aparece nesta página só como reforço de tendência, sempre identificado, e nunca somado a 2024 e 2025 num número único. - O edital de 2026 é posterior às provas medidas. As provas de 2023 a 2025 não foram escritas contra a grade de 44 subtópicos do Edital nº 1898/2026. Classificá-las contra ela mede encaixe entre o que a banca vinha cobrando e o que ela agora declara, mas não mede aderência da banca ao próprio edital, porque o edital veio depois.
- Subtópico com número de um dígito é indistinguível de ruído. A diferença entre “caiu uma vez” e “não caiu” carrega pouquíssima informação em uma base de 180 questões. As afirmações seguras estão nos blocos de dois dígitos.
- Percentual não se lê com precisão decimal. “Ventilação mecânica pesa muito mais que trauma” é leitura segura. “Ventilação mecânica é exatamente 13,3% da prova” não é: a granularidade desigual dos subtópicos do edital distorce os marcadores mais largos, e dois cadernos são dois cadernos.
Nada disso autoriza dizer o que cairá em 10 de novembro. Autoriza dizer onde a banca vinha colocando o peso.
Sobre esta apuração e atualização deste conteúdo
Esta página foi escrita a partir da leitura integral do Edital nº 1898/2026 da AMIB (34 páginas, com camada de texto nativa) e dos cinco arquivos de anexo baixados separadamente do site da sociedade, com os links extraídos do DOM da página oficial, em navegador real. Cada afirmação normativa acima cita o item do edital de onde vem. Os dados do Edital nº 2095/2026 (Medicina Intensiva Pediátrica), usados apenas na tabela de contraste, vêm da leitura visual daquele documento e de sua Errata 01, publicada no site da SBP.
Uma nota sobre os anexos, para quem for citá-los: o edital numera o mesmo anexo de até três formas diferentes, dependendo de onde se olha: a lista do item 1.31, o rótulo impresso no arquivo avulso e o rótulo da versão embutida no PDF divergem entre si, e o número “Anexo IV” chega a designar dois documentos distintos. A forma segura de se referir a eles é pelo conteúdo: “o formulário padrão de declaração de experiência”, “a tabela de pontuação curricular”, não pelo número.
Data de verificação: 19 de agosto de 2026. Nenhuma errata do Edital nº 1898/2026 havia sido localizada até essa data, mas o próprio edital prevê alterações “até a consumação do evento a que se referem”item 1.17: reconfira o site da AMIB antes de agir sobre qualquer data ou valor desta página. Atualizado em 11 de outubro de 2026: o prazo da análise curricular encerrou em 05/10/2026, e, na varredura deste blog nessa data, o site da AMIB não trazia errata do Edital nº 1898/2026, prorrogação do prazo nem lista de aptos posterior à de 22/09/2026.
Este conteúdo é de autoria institucional da equipe editorial do blog (não de um profissional médico individual) e não constitui aconselhamento médico, jurídico ou de carreira individualizado, nem promete qualquer resultado de aprovação. Ele não substitui a leitura do edital vigente nem a conferência direta com a AMIB, pelo canal titulos@amib.org.britem 1.13. Veja também o guia de comprovação de vínculo na Prova de Título e o hub da prova de título de clínica médica (TECM/SBCM).
Perguntas frequentes
Ainda dá para se inscrever na prova de título de medicina intensiva 2026? Não. As inscrições do TEMI encerraram em 15/07/2026, às 20h, e a ferramenta eletrônica foi desativada após o prazoitens 2 e 4.7. O envio de documentos para a análise curricular, só para inscritos, encerrou em 05/10/2026, às 18h; o próximo marco é o resultado dessa análise, em 30/10/2026, às 18hitem 2.
Qual é a nota de corte da prova teórica do TEMI 2026? Ela varia conforme a análise curricular do próprio candidato: currículo com 100 pontos habilita com 48 acertos de 90; entre 50 e 99 pontos, com 49; abaixo de 50 pontos, com 50itens 9.7.1 a 9.7.3. O currículo não soma pontos à prova: apenas desloca o limiar de acertos.
Preciso de título em clínica médica ou cirurgia para prestar o TEMI adulto? Não. O item 3.2 deste edital termina na alínea “f” (não existe alínea “g”), então há um único pré-requisito, com três vias alternativas: residência credenciada pela CNRM/MEC, programa de formação credenciado pela AMIB ou seis anos de atuação prático-profissional.
O “TEMI pediátrico” é a mesma prova? Não. A certificação pediátrica é o Certificado de Área de Atuação em Medicina Intensiva Pediátrica, Edital nº 2095/2026, conduzido pela SBP em conjunto com a AMIB, mas não é título de especialista. Tem pré-requisitos cumulativos, 70 questões, corte fixo de 42 e calendário próprio, com teórica já realizada em 21/06/2026.
Trabalho voluntário conta como tempo de atuação para o TEMI? O item 3.4 veda trabalhos voluntários “para a capacitação por atuação prático profissional em Medicina intensiva”, ou seja, na via f.3, a única comprovada por tempo. Sobre período misto e sobre o que caracteriza trabalho voluntário, o edital silencia. Confirme com a AMIB antes de montar a documentação.
Conclusão
A prova de título de medicina intensiva de 2026 está com a inscrição encerrada desde 15/07, mas o ciclo só termina em dezembro: prova teórica em 10/11, prática em 15/11, ambas presenciais em Olinda/PE, e resultado final em 16/12, tudo conforme o Edital nº 1898/2026 da AMIB. Para quem está inscrito, o envio dos documentos da análise curricular encerrou em 05/10/2026, e o resultado, em 30/10/2026, às 18h, define se o corte da teórica fica em 50, 49 ou 48 acertositens 2 e 9.7.
Duas checagens valem antes de qualquer outra coisa. Confirme que você está lendo o edital adulto, e não o pediátrico. São certificações de naturezas diferentes, com calendários que não conversam. E reconfira o site da AMIB, porque o próprio edital se reserva o direito de alterar seus itens até a consumação de cada evento. Continue acompanhando o blog para o cronograma das demais provas de título e para a comprovação de vínculo detalhada por sociedade.


